Material Complementar da SEBI - Sala de Estudo da AD Sudoeste
O Judeu, o Gentio e a Igreta de Deus
Quem
lê a Bíblia com alguma atenção não pode deixar de perceber que mais da metade
de seu conteúdo refere-se a uma nação: os israelitas. Percebe também que eles
têm um lugar distinto nos procedimentos e conselhos de Deus. Separados da massa
humana, são levados a um convênio com Jeová, que lhes faz promessas específicas
que não foram feitas a nenhuma outra nação. Apenas sua história é contada
durante a narrativa e profecia do Antigo Testamento; outras nações são
mencionadas somente quando exercem alguma influência sobre o povo judeu. Parece
também que todas as comunicações de Jeová com Israel como nação referem-se à
Terra. Se ir r um povo fiel e obediente, é-lhe prometida grandeza terrena,
riqueza e poder; se infiel e desobediente, será espalhado "entre todos os
povos, desde uma extremidade da terra até a outra" (Dt 28.64). Até mesmo a
promessa do Messias é de abençoar todas as famílias da Terra.
Ao
continuar sua pesquisa, o estudioso encontra nas Escrituras menção a outro
corpo distinto, chamado igreja. Esse corpo também tem uma relação peculiar com
Deus e, como Israel,
recebeu dele promessas
específicas. Mas é aí que terminam as semelhanças e começa o mais
extraordinário contraste. Em vez de ser formada apenas por descendentes diretos
de Abraão, é um corpo em que a distinção entre judeu e gentio se perdeu. Em vez
de ser uma relação de mera convenção, uma de nascimento. Em vez da obediência
que traz como recompensa grandeza terrena e riqueza, a igreja é ensinada a se
contentar com comida e vestimenta e a esperar perseguição e ódio; percebe-se que,
assim como Israel se liga às coisas temporais e terrenas, a igreja se liga ao
que é espiritual e celeste.
Mais
adiante, as Escrituras mostram ao estudioso que nem Israel e nem a igreja
existiram sempre, cada um tem um registro de seu começo. O surgimento de Israel
encontra-se no chamado de Abrão. Procurando pelo nascimento da igreja, descobre
(talvez, ao contrário de suas expectativas, já que provavelmente foi ensinado
que Adão e os patriarcas estavam na igreja) que ela certamente não existiu
antes nem durante a vida terrena de Cristo, já que ele fala de sua igreja como
algo futuro quando diz (Mt 16.18): "sobre esta pedra edificarei a minha
igreja". Não diz edifiquei nem estou edificando, mas sim, edificarei.
Descobre-se
também, em Efésios 3.5-10, que a igreja não é mencionada nas profecias do
Antigo Testamento nem uma vez, mas que era, naquela época, um mistério
"oculto em Deus". Biblicamente, ele encontra o nascimento da igreja
em Atos 2, e o término de sua trajetória na terra em I Tessalonicenses 4.
O
estudioso também encontra, na divisão racial bíblica, outra classe, raramente
mencionada e distinta em tudo tanto de Israel quanto da igreja: os gentios. A
posição comparativa de judeus, gentios e da igreja pode se vista brevemente nas
seguintes passagens: o judeu (Rm 9.4,5; Jo 4.22, Rm.1,2), o gentio (Ef 2.11,12,
Ef 4.17,18, Mc 7.27,28); a igreja (Ef 1.22,23; Ef 5.29-33,1 Pe 2.9).
Quando
compara o que se diz na Bíblia sobre Israel e a igreja, descobre que na origem,
chamado, promessa, adoração, princípios de conduta e destino futuro, são
completamente contrastantes. Compare-se primeiramente o chamado de Israel com o
da igreja.
"Ora, o SENHOR
disse a Abraão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai,
para a terra que eu te mostrarei" (Gn 12.1).
"Porque o SENHOR
teu Deus te põe numa boa terra, terra de ribeiros de águas, de fontes, e de
mananciais, que saem dos vales e das montanhas, terra de trigo e cevada e de
vides e figueiras, e romeiras, terra de oliveiras, de azeite e mel, terra em
que comerás o pão sem escassez" (Dt 8.7-9).
"Então disse: Eu
sou o servo de Abraão. E o SENHOR abençoou muito o meu senhor, de maneira que
foi engrandecido, e deu-lhe ovelhas e vacas, e prata e ouro, e servos e servas,
e camelos e jumentos." (Gn 24.34,35).
"O SENHOR
entregará, feridos diante de ti, os teus inimigos, que se levantarem contra ti,
por um caminho sairão contra ti, mas por sete caminhos fugirão da tua
presença" (Dt 28.7).
"E o SENHOR te
porá por cabeça, e não por cauda, e só estarás em cima, e não debaixo" (Dt
28.13).
"Por isso, irmãos
santos, participantes da vocação celestial" (Hb 3.1).
"Mas a nossa
cidade está nos céus" (Fp 3.20).
"E disse Jesus: As
raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem
onde reclinar a cabeça" (Mt 8.20).
"Para uma herança
incorruptível, inconta- minável, e que não se pode murchar, guardada nos céus
para vós" (I Pe 1.4).
"Até esta presente
hora sofremos fome, e sede, e estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos
pousada certa" (I Co 4.11).
"Então Jesus,
olhando em redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no
reino de Deus os que têm riquezas!" (Mc 10. 23).
"Ouvi, meus amados
irmãos: Porventura não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na
fé, e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam?" (Tg 2.5).
"Expulsar-vos-ão
das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um
serviço a Deus" (Jo 16.2).
"Portanto, aquele
que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus"
(Mt 18.4).
E
claro que isso não significa que um bom judeu não pode, ao morrer, ir para o
céu. A diferença é que o incentivo para a bondade, nesse caso, foram bênçãos
terrenas, não celestes. Seria necessário dizer que, nesta dispensação, nem o
judeu nem o gentio podem ser salvos a não ser pelo exercício da fé no Senhor
Jesus Cristo por meio de quem ambos nascem novamente (Jo 3.3,16) e são
batizados "formando um corpo" (I Co 12.13), que é "a
igreja" (Ef 1.22,23). Na igreja, a distinção entre judeu e gentio
desaparece (I Co 12.13; G13.28; Ef 2.14). Assim, ao escrever para os efésios, o
apóstolo fala daqueles que eram, "noutro tempo", gentios (Ef 2.11; I
Co 12.2 também diz "éreis gentios").
O
contraste entre Israel e a igreja volta a aparecer nas regras dadas para a
conduta de cada um.
"Quando o SENHOR
teu Deus te houver introduzido na terra, à qual vais para a possuir, e tiver
lançado fora muitas nações de diante de ti,(...) para as ferir, totalmente as
destruirás; não farás com elas aliança, nem terás piedade delas" (Dt
7.1,2).
"Olho por olho,
dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por
ferida, golpe por golpe" (Êx 21.24,25).
"Eu, porém, vos
digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que
vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem" (Mt 5.44)
"Somos injuriados,
e bendizemos; somos perseguidos, e sofremos; somos blasfemados, e rogamos"
(I Co 4.12,13).
"Eu, porém, vos
digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita,
oferece- lhe também a outra" (Mt 5.39).
Veja
também Deuteronômio 21.18-21 e Lucas 15.20-23.
Nas
reuniões de adoração também encontramos contrastes: Israel poderia adorar em um
lugar apenas e a uma distância de Deus - somente poderia aproximar-se dele por
meio de um sacerdote. A igreja adora em qualquer lugar onde haja dois ou três
reunidos, tem "ousadia" para entrar no santuário e é composta de
sacerdotes. Compare Levítico 17.8,9 com Mateus 18.20; Lucas 1.10 com Hebreus
10.19,20; Números 3.10 com I Pedro 2.5.
Nas
profecias concernentes ao futuro de Israel e da Igreja, a distinção é ainda
mais espantosa. A igreja será completamente retirada da terra, mas Israel será
restaurada em seu maior esplendor e poder terreno. Veja o que as Escrituras
dizem:
"E eis que em teu
ventre conceberás e darás à luz um filho, e por-lhe-ás o nome de Jesus. Este
será grande, e será chamado filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o
trono de Davi, seu pai. E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino
não terá fim" (Lucas 1.31-33). Dessas sete promessas a Maria, cinco já
foram literalmente cumpridas. Mas que critério interpretativo nos autoriza a
dizer que as duas restantes não serão também cumpridas?
"Simão relatou
como primeiramente Deus visitou os gentios, para tomar deles um povo para o seu
nome. E com isto concordam as palavras dos profetas, como está escrito: Depois
disto voltarei, e reedificarei o tabernáculo de Davi, que está caído,
levantá-lo-ei das suas ruínas, e tornarei a edificá-lo" (Atos 15.14-16).
"Digo pois:
Porventura rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum; porque também eu sou
israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Digo, pois:
Porventura tropeçaram, para que caíssem? De modo nenhum, mas pela sua queda
veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação. Porque, se tu foste
cortado do natural zambujeiro e, contra a natureza, enxertado na boa oliveira,
quanto mais esses, que são naturais, serão enxertados na sua própria oliveira!
Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de
vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a
plenitude dos gentios haja entrado. E assim todo o Israel será salvo, como está
escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades" (Rm
11.1,11,24-26).
"E há de ser que
naquele dia o Senhor tornará a pôr a sua mão para adquirir outra vez o
remanescente do seu povo (...) E levantará um estandarte entre as nações, e
ajuntará os desterrados de Israel, e os dispersos de Judá congregará desde os
quatro confins da terra" (Is 11.11,12).
"Porque o SENHOR
se compadecerá de Jacó, e ainda escolherá a Israel e os porá na sua própria
terra; e ajuntar-se-ão com eles os estrangeiros, e se achegarão à casa de
Jacó" (Is 14.1).
"Portanto, eis que
dias vêm, diz o SENHOR, em que nunca mais se dirá: Vive o SENHOR, que fez subir
os filhos de Israel da terra do Egito. Mas: Vive o SENHOR, que fez subir os
filhos de Israel da terra do norte, e de todas as terras para onde os tinha
lançado; porque eu os farei voltar à sua terra, a qual dei a seus pais"
(Jr 16.14,15).
"Eis que vêm dias,
diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, sendo rei, reinará e
agirá sabiamente, e praticará o juízo e a justiça na terra. Nos seus dias Judá
será salvo, e Israel habitará seguro; e este será o seu nome, com o qual Deus o
chamará: O SENHOR JUSTIÇA NOSSA" (Jr 23.5,6).
"Eis que eu os
congregarei de todas as terras, para onde os tenho lançado na minha ira, e no
meu furor, e na minha grande indignação; e os tornarei a trazer a este lugar, e
farei que habitem nele seguramente. E eles serão o meu povo, e eu lhes serei o
seu Deus" (Jr 32.37,38).
"Canta
alegremente, ó filha de Sião; rejubila, ó Israel; regozija-te, e exulta de todo
o coração, ó filha de Jerusalém. O SENHOR afastou os teus juízos, exterminou o
teu inimigo; o SENHOR, o rei de Israel, está no meio de ti; tu não verás mais
mal algum" (Sf 3.14,15).
"Na casa de meu
Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-
vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos
levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também" (Jo
14.2,3).
"Dizemo-vos, pois,
isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do
Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu
com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram
em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos
arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e
assim estaremos sempre com o Senhor" (I Ts 4.15-17).
"Mas a nossa
cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus
Cristo, Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo
glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as
coisas" (Fp 3.20,21).
"Amados, agora
somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas
sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim
como é o veremos" (I Jo 3.2).
"Regozijemo-nos, e
alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já
a sua esposa se aprontou. E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e
resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos. E disse-me:
Escreve: Bem- aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do
Cordeiro" (Ap 19.7-9).
"Bem-aventurado e
santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder
a segunda morte; mas serão sacerdotes de
Deus e de Cristo, e
reinarão com ele mil anos" (Ap 20.6).
Pode-se
dizer seguramente que a "judaização" da igreja fez mais para limitar
seu progresso, perverter sua missão e destruir sua espiritualidade do que
todas as outras causas combinadas. Em vez de perseguir o caminho escolhido de
afastar-se do mundo e seguir o Senhor em seu chamado celeste, usou Escrituras
dos judeus para justificar-se no rebaixamento de seus propósitos de civilização
do mundo, de aquisição de riqueza, do uso de rituais imponentes, na edificação
de igrejas grandiosas, na invocação das bênçãos de Deus sobre os conflitos
militares, e na divisão de uma irmandade igualitária entre "clero" e
"leigos".